TRANSGÊNICOS
Há muitos anos atrás, o Jô Soares tinha um programa humorístico na TV Globo, onde
interpretava um professor alemão, que fazia cruzamentos absurdos entre seres vivos. Ele
cruzava (acasalava) minhoca com porco espinho para ter um arame farpado, cruzava abelha
com agrião para produzir xarope para tosse. Era tudo riso no "Planeta dos
Homens".
Não se passaram vinte anos. Hoje, os cruzamentos de diferentes espécies de animais ou de
animais e plantas não são piadas.
Um cientista "cruzou" um vaga-lume com um pé de fumo que brilha no escuro.
Outro cientista cruzou o pé de algodão com uma florzinha azul (anil) e obteve algodão
azul, que não precisa ser tingido quando se
faz calças e jaquetas "jeans".
Mas não é só na agricultura que isto está ocorrendo, também na indústria e na
medicina. Novos remédios surgem para combater a AIDS, hepatite e muitas outras moléstias
ou seus transmissores, além de transferência de genes humanos para porcos, para
facilitar os transplantes.
O grande campo de investimentos da indústria é, hoje, a biotecnologia e engenharia
genética.
Para que se possa entender o que é engenharia genética é necessário que se vá até a
época das cavernas, quando o homem começou a domesticar as plantas, colhendo e plantando
as maiores e melhores.
As evoluções do homem e da agricultura seguiram juntas, embora não se conhecessemm os
métodos de como ocorriam os "cruzamentos". Foi o sacerdote João Gregório
Mendel quem fez os primeiros estudos sobre cruzamentos.
Ele tomou uma espécie de ervilha de flor vermelha e casca da semente lisa e usou como
pai. A espécie de ervilha de flor branca e casca rugosa, usou como mãe.
A colheita das sementes e o plantio destas deu como resultado ervilhas de flor vermelha e
casca lisa e também ervilhas de flor branca com casca rugosa. Ou seja, as
características do pai saíam junto com as características da mãe.
Existem casos em que os gatinhos saem diferentes dos pais.
Muitas vezes, as características dos pais desaparecem nos filhos e surgem nos netos e
bisnetos. Isto acontece com todos os seres vivos que se acasalam.
Os agricultores, muitas vezes, não querem que as plantas se acasalem, pois elas poerdem
suas qualidades. As frutas, cana-de-açúcar, mandioca, entre outras, é comum plantar-se
de ramos, pois a sementes de uma laranjeira, macieira, madioca e outras, quando plantadas,
dão frutos de péssima qualidade.
O milho tem flores masculinas e femininas, em uma mesma planta, mas separadas. Seu pólen
(masculino) é levado pelo ar e fencunda as flores femininas de outras plantas. Os
cientistas descobriram que, quando se faz com que o pólen de um mesmo pé fecunde a flor
da mesmas planta, as sementes desta espiga dão origemma pés de milho cada vez menores e
mais raquíticos. Quando se cruzam duas plantas raquíticas dão origem a uma semente,
que, ao ser plantada, dá origem a um milho muito produtivo e vigoroso. Isto se chama
"vigor híbrido".
Todo mundo conhece o milho híbrido e sabe que não se pode plantar as sementes colhidas
de um milho híbrido, pois dá pés de milho pequenos, médios e grandes; precoces
misturados com tardios; fracos com fortes; enfim, tudo tão variado que é variado que é
inviável coher suas espigas.
Após a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos descobriram, no Japão, que os pés de
trigo plantados eram bem pequeninos e produziam duas vezes mais que os trigos
norte-americanos. Os trigos anões japoneneses podiam ser fortemente adubados, pois tinham
a cana curta. Os japoneses tinham incoporado as características do arroz anão (gene
NORIN 10 e 11) ao trigo, tornando-o mais resistente à adubação. É bem sabido que gato
e cachorro não se cruzam, da mesma forma que trigo e arroz, mas os cientistas japoneses
tinham aprendido como transferir características sem acasalamento das espécies. isto
não é fácil e são necessários grandes e sofisticados laboratórios, que somente as
transnacionais têm.*
As características transmissíveis durante o acasalamento estão em partículas
denominadas de DNA e RNA. Todos os seres vivos têm o tipo de DNA e RNA muito parecido
(como todas as línguas ocidentais que usam o alfabeto latim), e os estudos posteriores
mostraram que é possível retirar o DNA e RNA do arroz e passar para o trigo, ou de um
gato e passar para um cachorro ou planta. Isto é extremamente complexo e custa alguns
milhões de dólares, em equipamentos e equipes, para ser feito.
Hoje, as empresas químico-farmacêuticas estão investindo verdadeiras fortunas para a
criação de variedades de sementes e novos medicamentos através da transferência de
características (genes) de uma espécie de planta ou animal para outra.
Isto se chama de organismo transgênico. Estas plantas ou animais podem ser patenteados
como uma criação ou invenção, pois são novos, criados pela inventividade humana e
úteis, segundo os donos das patentes.
O inventor do vaso sanitário, na Inglaterra ganhou uma patente. Todos os vasos
sanitários importados tinham a palavra patente. Os gaúchos ao lerem "patente"
no "trono", pensaram que era sinônimo de vaso sanitário.
Um ser vivo patenteado só pode ser reproduzido pelo dono da patente. Se o dono não
permitir que outra pessoa ou empresa plante ou tire cria da semente ou animal comprado,
então a lei protege seu monopólio sobre a invenção.
Isto obriga o agricultor ou pecuarista a comprar sempre a semente ou animal dele. Para o
dono desta patente,
isto é ÓTIMO.
Muitos agricultores, hoje, estão ganhando muito dinheiro fazendo o seu milho híbrido em
casa. Eles compram sementes de milho híbrido de duas empresas diferentes, plantam duas
fileiras do milho de uma empresa, para ser o pai, e dez linhas do milho da outra empresa,
para ser a mãe e depois mais duas fileiras, novamente, do milho pai.
Quando o milho vai soltar o pendão, eles "capam" todas as flores masculinas das
plantas mães (tiram o pendão) antes de sair fora cartucho. As plantas
"capadas" são fecundadas pelo pólen das duas fileiras de cada lado, e assim,
obtém-se a semente híbrida ou variedade sintética. A vantagem é que esta semente pode
ser plantada até seis vezes sem diminuir a produção, e isto faz com que a semente fique
bem barata e o agricultor fique com mais lucro. Como isto é uma prática comum e antiga
não pode ser proibida por uma lei de patentes. Existe muita gente ameaçando os
agricultores, para que eles, por medo, não possam fazer isto, mas é só intimidação.
Com a engenharia genética, as empresas, hoje, estão transferindo genes entre diferentes
espécies de plantas e/ou animais. Assim, obtem-se feijão com proteína de
castanha-do-pará, trigo com genes de peixe, tomate que não apodrece milho com genes de
bactérias que matam insetos, e assim por diante.
Quanto vale uma patente trangênica? -Vale uma fortuna, considerando os mercados
bilionários que ela permite monopolizar, mas para os investimentos neste setor somente
empresas gigantescas têm condições e recursos. Algumas empresas não tiveram dinheiro
suficiente para competir neste mercado. A Volvo sueca foi uma delas e faliu no ramo de
sementes. A Calgene criou a soja resistente ao Roundup, mas não resistiu e teve que
vender sua patente para o Monsanto.
As grandes empresas de agrotóxicos estão se juntando para poder competir:
Hoje, as empresas estão se acusando de roubarem os conhecimentos umas das outras, e as
patentes
estão na justiça.
Todos devemos entender que não é fácil nem seguro mexer com a transferência de
características de
uma planta para outra. Todas as pesquisas, nesta área, são severamente controladas e
precisam de
autorização dos órgãos governamentais.
A Souza Cruz criou uma empresa de sementes e mudas que lançou no mercado, uma nova
variedade de
morango e passou a vender mudas deste morango. Os morangos produzidos não ficavam
vermelhos, e
foi um fracasso com grandes prejuízos para os agricultores de São Paulo e Minas Gerais.
A empresa
foi fechada.
A empresa Pioneer criou uma variedade de soja transgênica com genes da castanha-do-pará,
mas não
puderam explorar a patente, pois a soja causava alergia. É que muitas pessoas são
alérgicas à
castanha-do-pará, e os genes manipulados para transferir o valor protéico da castanha
para a soja
levaram junto seu potencial alérgico.
No Japão a empresa Showa Denko criou bactérias transgênicas para produzir vitaminas e
amino-ácidos (L-triptofano), provocando 35 mortes e 5.000 intoxicações.
Cientistas da empresa DNA Plant Technology foram contratados pela BAT (dona da Souza Cruz
no Brasil) para criar um pé de fumo com muito mais nicotina. A nicotina vicia mais o
fumante, que consome mais cigarros.
O plantio deste fumo foi proibido nos EUA e aqueles cientistas trouxeram o fumo
"Y-I", clandestinamente e plantaram no RS, PR, e SC. Colehram e exportaram-no
para os EUA causando a maior confusão. O FBI está investigando e prendendo todo mundo.
Fora questão moral e ética de tornar a pessoa mais viciada, há um grave risco para a
natureza, o
pólen deste "Y-I" ou qualquer transgênico pode ser levado por uma abelha,
vespa ou mangangá para
um pé de fumo bravo e provocar a formação de uma planta diferente, destruindo as
plantas da natureza que formam a biodiversidade. Para evitar estes riscos, experiências
militares com transferência de genes eram feitas nos laboratórios especiais fora da
Terra, pois de desse uma "zebra", não
haveria grandes perigos para a vida no Planeta. Ainda hoje, estas criações só podem ser
feitas
em locais sob total controle, para evitar contaminação da natureza.
Cientistas criaram um salmão, um peixe muito valioso e gostoso. Ele cresce duas vezes
mais rápido
do que os naturais. O governo americano tem medo deste peixe fugir dos tanques de
criação e ir
para a natureza, pois para cresce mais rápido ele come muito mais e isto provoca um
grande
desiquilíbrio no ambiente e morte de muitos outros peixes e animais marinhos. Seria uma
verdadeira catástrofe para a vida marinha, e por tabela, para a Humaninade.
Na Europa, os consumidores (80% deles, segundoo pesquisas em 1997) estão com medo dos
alimentos
transgênicos e exigem que eles sejam rotulados para o comprador poder escolehr um produto
normal.
Ao mesmo tempo, estão instalando laboratórios caríssimos, para fiscalizar os alimentos
e encontrar as fraudes. Cada análise custam muito caro e aumenta o preço do produto.
Alguns governos ainda resistem a fazer os testes, alegando que o custo dos testes é
proibitivo,
mas que as entidades de defesa do consumidor e do ambiente já mostraram que é
perfeitamente exeqüível.
No Brasil está chegando a soja transgênica resistente ao Roundup. O Roundup é um
herbicida da Monsanto que mata qualquer planta, inclusive a soja. Mas a soja transgênica
recebeu características de resistência ao Roundup encontrada em algas e bactérias. Este
gene foi transferido para a soja que não morre, quando se passa o Roundup sobre ela para
eliminar as ervas
daninhas na lavoura.
A empresa usou os técnicos da Emater, Universidades, Cooperativas e Governo para uma
grande campanha de plantio direto na palha, para evitar os agricultores a usar o Roundup.
Agora, a Monsato lança a soja resistente ao Roundup, para "casar" a compra de
sua semente ao uso de seu herbicida, que promete economizar no consumo de agrotóxicos. Os
agrônomos que ensinam a plantar soja e fazer o plantio direto sem herbicida algum não
têm recursos que a Monsanto tem para chegar aos agricultores. Não é muito diferente do
fumo "Y-I" com mais nicotina.
Dentro de poucos anos, todas as variedades de soja disponíveis no mercado poderão ser
resistentes aos herbicidas produzidos pela Monsato, ArgEvo ou alguma outra multinacional.
e os bancos e esmagadoras poderão exigir que o agricultor faça compra casada de
sementes, etc. de uma mesma empresa.
Quem faz plantio direto usa o rolo facas, sem herbicidas, como fica? Seráa obrigado a
comprar o herbicida?
As empresas passarão a criar cada dia mais produtos e tornar sua soja viciada neles, e o
agricultor ficará à mercê deste mercado, pois o governo está ao lado delas. Isto
provocará maior contaminação e envenamento da natureza (solo, água, alimentos).
Um ano depois de aplicado Roundup no solo, foram encontrados os resíduos dele em cenouras
e alfaces. Na água de poço, foi encontrado resíduo de Roundup. A Nitrosamina de Roundup
é uma substância encontrada na água e no solo e é altamente carcinogênica, ou seja,
um formador de câncer. Mas mesmo assim a Monsanto promove este agrotóxico como um
produto ecologicamente "sadio".
Para o agricultor, o mais improtante é que os "inços" (ervas daninhas), quando
recebem repetidamente Roundup, passam a ficar tolerantes e passam a necessitar de maior
quantidade de produto, para morrer. Já existem, na Austrália, Estados Unidos,
"inços" que não morrem nem quando se passa veneno puro sobre eles.
Mas as empresas que vendem sementes e agrotóxicos não estão preocupadas com este
perigo, pois já preparam os futuros lançamentos sucessivos de sementes e venenos
"novos", "melhores" e "mais potentes" (e mais caros,
também).
No passado, a ferrugem do café, o bicudo do algodoeiro e outras pragas foram trazidos ao
Brasil para aumentar o comércio de agrotóxicos, com graves prejuízos a todos. Um
cientista introduziu a abelha africana no Brasil e isto já causou a morte de centenas de
pessoas e sofrimento a centena de milhares. Hoje, a abelha africana está em todo país e
ameaça entrar nos EUA. Não é simples nem inócuo mexer com a natureza. Muitos
cientistas alertam para o perigo da manipulação genética, que é milhões de vezes mais
perigosa.
A empresa "Delta & Pine", dos EUA patenteou o gene "TERMINATOR".
Ele é incorporado às sementes que plantadas e colhidas tenham sementes estéreis. Isto
obriga inexoravelmente o agricultor a comprar sementes sempre que for plantar. Na América
Latina isto causará grandes e negativos impactos.
O grave é que as empresas podem "fazer" com que este gene vá com os grãos de
pólen e fecundem as flores de plantas silvestres ou domésticas tornando-as também
estéreis, destruindo o patrimônio do agricultor e da humaninade.
Para quem faz agricultura ecológica - o que representa o uso da soja transgênica
resistente ao Roundup ou com DNA de bactérias que matam insetos?
Em um primeiro momento, é um risco mutio grave, pois, logo, será retiradas do mercado
todas as variedades de soja, e outras culturass que não sejam transgênicas, da mesma
forma como desapareceram as galinhas de roça ou caipiras. Hoje semente encontramos as
galinhas brancas (Leghom). Isto também acontece com porcos de certas raças antigas.
Segundo, para o agricultor que não usa agrotóxicos e faz agricultura ecológica, a
tecnologia dos transgênicos é desnecessária. Mas ele não poderá mais comprar as
sementes não transgênicas no comércio. E os donos das patentes estão criando
mecanismos para que a soja não cresça quando for utilizado o agrotóxico da empresa.
Muitas entidades populares estão resgatando as sementes e raças de animais para que não
fiquemos obrigados a comprar as plantas transgênicas.
Terceiro, e isto é muito importante, quanto maisse plantar destas culturas transgênicas
melhor será suja procura. Os países europeus rotulam e identificam os "alimentos
transgênicos" e os separam dos "naturais". Isto faz com que os preços dos
produtos ecológicos seja maior, o que é bom para os agricultores. Na Europa e entre
algumas entidades comerciais brasileiras, há oferta de produtos ecológicos com preços
muito mais caros, mas o normal, no Brasil é o preço dos produtos ecológicos serem
similares para o consumidor, pois se elimina o "atravessador" e esta margem, que
é muito grande, fica com a organização de produtores, o que é uma vantagem ética para
o consumidor conscientes.
Com o alimento transgênico, o governo, aliado das transnacionais, quererá que os
produtos ecológicos não-transgênicos fiquem, apenas, para a exportação ou muito caros
para o consumidor do mercado interno. Devedmos estar alerta, pois isto pode expor o
agricultor ecológico, como "bode expiatório" responsável pelo aumento dos
preços dos produtos.
Finalmente o grave risco dos transgênicos é que passemos a buscar sempre a solução dos
problemas através de produtos de empresas transnacionais que cada vez agigantam-se mais,
enquanto nós ficamos mais pobres e dependentes. O correto é evitarmos os problemas
corrigindo-os através da eliminação de suas causas.
O solo onde se usa herbicidas é destruído em menos de 30 anos pois a comunidade vegetal
retrocede perigosamente. Cada vez, aparece mais "milhã" (gramíneas) e
"papuã" (gramíneas) e desaparecem as plantas mais nobres.
A pergunta que o agricultor deve fazer é para que serve uma soja resistente ao Roundup se
ele não usa Roundup? Entretanto, a empresa e o governo têm interesse em que haja uso de
Roundup, mesmo que isto seja um perigo, como acabamos de ver neste texto. A cada dia mais
e mais características (genes) estão sendo incorporados às plantas e animais para
necessitar de mais e mais produtos das mesmas empresas criadoras destas sementes. Isto é
o mesmo que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro.
Hoje, sabemos que o tipo de preparo do solo e adubação usados na agricultura
"moderna" trazem os "inços" (ervas daninhas), as doenças e as
pragas. Quando usávamos venenos, sempre, ano a ano, na mesma época, tínhamos de usar
estes venenos. Agora, teremos que nos preocupar em eliminar as causas das pragas, doenças
e invasoras, para não ficarmos ainda mais dependentes dos produtos e do planejamento das
empresas e das políticas do governo.
Em outubro de 1997, no coração da região produtora de algodão dos EUA, o país mais
exigente quanto às questões transgênicas, 15.000 hectares de algodão Roundup Ready, da
Monsanto não produziram fibra, com um prejuízo de 1 milhão de dólares aos
agricultores.
* explicação fantasia didática.
ELAS LEVAM A VIDA NO CABELO
Por muito negro que crucifiquem ou pendurem de um gancho de ferro atravessado nas
costelas, são incessantes as fugas desde as quatrocentas plantações da costa de
Suriname. No interior da floresta, um leão negro ondeia na bandeira amarela dos
chimarrões. Não havendo balas, as armas disparam pedrinhas ou botões de osso; porém, a
espessura impenetrável é a melhor alidada contra os colonos holandeses.
Antes de fugir, as escravas roubam grãos de arroze de milho, pepitas de trigo, feijão e
sementes de abóboras. Suas enormes cabeleiras transforma-se em celeiros. Quando chegam
aos refúgios abertos no matagal, as mulheres sacodem suas cabeças e fecundam, assim, a
terra livre.
Extraído de "Memória de fuego (II), Las caras y las máscaras"
de Eduardo Galeano.
PERIGOS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS
1- Novos toxicantes podem ser agregados através da engenharia genética. Muitas plantas
produzem naturalmente uma variedaded de compostos como as neurotoxinas, inibidores de
enzimas que podem ser tóxicos e alterar a qualidade dos alimentos. Geralmente estes
compostos estão presentes em nivéis não-tóxicos. Mas, através da engenharia
genética, podem ser produzidos em altos níveis.
2- A qualidade nutricional dos alimentos da engenharia genética pode ser diminuída.
3- Pode ser significantemente alterada a quantidade de nutrientes nos alimentos
engenheirados. Também sua absorção ou metabolismo no homem podem ser modificados.
4- Novas substâncias podem representar alterações na composição dos alimentos.
5- É possível a introdução de uma proteína que diferencie significativamente na
estrutura e função, ou modifique um carboidrato, gordura ou óleo. Cada uma destas
diferenças altera significativamente a composição normal encontrada no alimento.
6- Novas proteínas que causam reações alérgicas podem entrar nos alimentos.
Alergênicos são proteínas que causam reação na população sensível a esta
substância. Transferidas de um alimento para o outro, as proteínas podem coferir à nova
planta propriedades alergênicas do doador.
7- As pessoas sensíveis normalmente acabam por identificar os produtos que as afetam.
Entretanto, com a transferência dos alergênicos de um produto para o outro, perde-se a
identificação e a pessoa só vai descobrir o que lhe faz mal após a ingestão do
alimento perigoso.
8- Os genes antibiótico-resistentes podem diminuir a efetividade de alguns antibióticos
em seres humanos e nos animais.
9- Cientistas usam genes antibiótico-resistentes para selecionar e marcar os organismos
engenheirados que foram sucesso. Genes marcadores que produzem enzimas inativadas
clinicamente, usando antibióticos, teoricamente podem reduzir a eficácia da terapêutica
ded antibióticos. Quando ingerida oralmente no alimento engenheirado, a enzima que pode
inativar o antibiótico.
Pode-se explicar de outra forma. Uma bactéria produz uma geração cada minuto. Sua
população é de alguns milhões de indivíduos. Se, por exemplo, o cientista maluco quer
introduzir um gene de foforescência em um peixe faz o seguinte... Ele toma uma bactéria
e usa-a como plasmídeo para carregar o gene para dentro da bactéria. Mas como ele vai
saber se o seu gene está dentro da célula? Simples, ele transfere caracteres de
resistência a um determinado antibiótico. Depois, para checar se houve absorção do
gene, ele cultiva esta bactéria na presença do tal antibiótico. Aqueles que nascerem
seguramete terão o gene da foforescência. E o que acontece quando esse doido faz o
experimentado num peixe, um alimento humano? Surgirão peixes com a fosforescência e o
antibiótico... Que pode ser letal a algumas pessoas...
10- Os alimentos da engenharia genética podem provocar efeitos inesperados.
11- As manipulações genéticas trazem riscos aos animais porque podem aumentar os
níveis de toxina nas rações e alterar a composição e qualidade dos nutrientes.
12- A dieta dos animais é restrita a uns poucos produtos agrícolas. Uma pequena
alteração numa dieta diversificada é capaz de provocar uma grande intoxicação.
13- Alguns cientistas mais sensatos alertam que o uso da técnica da resistência a vírus
na agricultura pode fazer surgir novas raças de vírus, e daí novas doenças. Os novos
vírus resultam da fusão do DNA da proteína da cobertura do vírus anterior com o RNA de
um vírus que esteja infectando a célula. O vírus híbrido passa a ter aspectos
diferentes do vírus original para o qual a planta tem resistência, podendo provocar
novas e complexas doenças.
******************************************************************
Secretaria Regional Latino-Americana da União Internacional dos Trabalhadores da
Alimetação, Agrícolas, Hotéis, Restaurantes, Tabaco e Afins (REL-UITA).
GIPAS - Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação em Agricultura e Saúde.
Autores: Sebastião Pinheiro
Colaboração: D. Hattaway
Cuidado de Edição: Gerardo Iglesias
Correção: Lídia Mercedes Rolam
Elizabeth Bermúdez
Desenho Gráfico: Gabriel Balla
Desenhistas: Juan Manuel Diaz
Alexandre Fávero |